Pensa num skatista gente boa. Um cara que não tira o sorriso do rosto, que troca ideia olhando nos seus olhos. Pois é, estamos falando do curitibano e atleta profissional Alex Carolino, de 35 anos, que no último mês esteve no Bourbon Shopping (Zona Oeste da capital paulista), numa sessão de autógrafos, no lançamento da coleção de Inverno 2017 da marca Quiksilver. E, detalhe, sempre filmando tudo. Alex é considerado um dos primeiros youtubers no segmento “skate” com o projeto “No rolê com Carolino”, onde desde 2009 apresenta suas sessões de skate.

Alex Carolino / Foto Pablo Vaz
Alex Carolino / Foto Pablo Vaz

Com seu estilo próprio em cima do carrinho, Alex já viajou o mundo e explorou as calçadas e corrimãos de lugares como Alemanha, Suíça, Canadá, República Tcheca, Holanda, Espanha, Dinamarca, Rússia, Argentina, França, Estados Unidos, Japão, China e Polônia. Dono de uma carreira consolidada no skate – tanto no Brasil quanto fora dele – Carolino é um dos protagonistas no street skate profissional, e com muitos títulos importantes em seu currículo.

O InnerSport não perdeu tempo e agendou uma entrevista com este pai de família que agradece todas suas conquistas ao skate. Neste bate papo, conheça um pouco mais da vida deste esportista. Os motivos que o levaram ao skate, as mudanças que o esporte trouxe para o seu dia a dia, entre outras curiosidades.

Foto Daniel Soua - Reprodução da Revista Solto
Foto Daniel Soua – Reprodução da Revista Solto

InnerSport – O que o motivou a praticar o skate?
Alex Carolino: Foi o encanto que o skate possui. Os caras andando, realizando manobras, voltando com o carrinho pro pé. Isso que me levou a querer andar. É um esporte incrível, com manobras mágicas.

IS – Como você teve contato com o esporte?
AC: Meu primeiro contato com o skate foi na frente da minha casa. Me lembro que os caras mais velhos fechavam a rua, montavam uma rampa, e lá se divertiam. Este foi o meu contato, praticamente de dentro da minha própria casa.

IS – Quais foram os seus principais títulos?
AC: Conquistei títulos em todos os estágios até chegar ao profissionalismo. No entanto, como profissional, os mais importantes para mim foram os de Campeão Brasileiro, em 2001; o terceiro lugar no Matriz Skate Pro, em 2012, no Rio Grande do Sul; e outro terceiro lugar no Tampa Pro, na Flórida (EUA) em 2014.

IS – Como skatista pro, qual foi a conquista que lhe trouxe mais orgulho?
AC: Minha maior conquista que o skate me trouxe foi tudo que ele me deu. Minha família. O cominho que eu segui, os amigos que eu conquistei. Os eventos, até as roubadas que eu passei, e também os aprendizados. Tudo isso foi o skate que me deu.

IS – Sendo um skatista profissional você já deve ter viajado muito pelo Brasil e para fora dele. Dos lugares por onde passou, qual foi a melhor pista para a prática da sua modalidade?
AC: A melhor pista para praticar a minha modalidade é a rua mesmo. Onde eu uso da arquitetura urbana pra desenvolver as manobras e a criatividade. Hoje, as pistas no Brasil estão se modernizando num novo formato que se chama Skate Plaza, que já é uma pista que simula a arquitetura urbana , como as escadas e os corrimãos, e toda essa estrutura tem característica do street skate. Mas, a melhor pista está lá nos EUA, que é a Lafayette Skate Park, em Los Angeles. Na minha última viagem eu passei por lá, e a pista é excelente.

Foto Pablo Vaz
Foto Pablo Vaz

IS – No Brasil, quais os melhores picos?
AC: Em São Paulo, a Praça Russevelt; no Rio de Janeiro, a Praça Mauá, toda aquela área que foi revitalizada que é até comparada como a nova Barcelona, lugar que é referência para o skate no mundo. E em Porto Alegre, o IAPI Skate Parque.

IS – A figura do skatista atual é muito admirada pela criançada, o que fez com que as exigências das empresas cobrem um novo perfil do atleta, abafando aquela imagem do skatista “anarquista”, que já não é tão forte como nos anos 80. Como você avalia esta nova posição do mercado?
AC: Acho muito bom pra acabar com esta imagem estigmatizada do skatista anarquista, do skatista desocupado. O skatista é um atleta, um artista, um cidadão. Cada vez mais a sociedade vai aceitar. Ainda mais agora, com as empresas usando o skate em peças publicitárias. O esporte também está inserido nas Olimpíadas. Muitos brasileiros vêm se destacando mundo à fora. Isso mostra que o skate só tem a crescer e tudo isso influenciou no comportamento deste novo perfil de atleta.

IS – Houve alguma situação durante suas viagens como skatista que mudou sua visão ou forma de pensar, ou o skate por si só, automaticamente, altera sua visão de mundo?
AC: Por ser skatista a gente sempre tem uma visão diferenciada do mundo. É uma família que se identifica em qualquer lugar. E, por ser um esporte muito urbano, a gente está sempre em contato com o contraste. Uma hora num lugar da alta sociedade, e em questão de segundos numa esquina suja, ao lado de andarilhos, trocando ideia.

IS- Na sua opinião, os campeonatos de skate que são realizados no Brasil são suficientes, ou falta mais incentivo?
AC: Falta incentivo. As empresas precisam investir mais. Mas eu observo que está havendo mais eventos. O skate dá mídia, as pessoas gostam, e com a inserção nas Olimpíadas tende a melhorar ainda mais, espero!

IS – O skatista de hoje consegue viver do esporte? Os investimentos financeiros aplicados nele pelas marcas são suficientes para uma programação futura ou o atleta é obrigado a ter uma segunda renda?
AC: Depende em que posição o atleta se encontra na cadeia produtiva. Há atleta que consegue viver e existem outros que não, isso é muito relativo. Porém, o profissional de hoje tem de ser versátil para ter outros meios de rendas.

No ROLÊ com o Carolino
No ROLÊ com o Carolino

No drop
Melhor trip: Estados Unidos.
Música preferida: Rap.
Prato predileto: arroz, feijão, bife com batata frita.
Família: motivação para constante evolução de mim mesmo.
Skate: é o caminho.

Por Larissa Gutierres

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