O que podemos falar a mais deste catarinense bom de surf? O InnerSport bateu um papo com um dos surfistas mais queridos do Brasil, Flávio “Teco” Padaratz, nascido em Blumenau, mas criado em Balneário de Camboriú, este ícone do surf já passou dos 40, no entanto, sem sombra de dúvidas, em plena forma física. Já contribuiu muito para o surf brasileiro quando ele e Fábio Gouveia abriram as portas para o circuito mundial. Durante 16 anos manteve o título de primeiro brasileiro a vencer o careca Slater numa final emocionante em Hossegor. Atualmente, seu surf se resume nas cordas do violão e nas ondas sonoras de sua música. Padaratz se intitula como sendo um homem mais maduro e livre na realização de seus sonhos. Está em uma das melhores fases onde consegue conciliar, entre tantas outras atividades, a música e o surf, sonho que carrega desde criança e coloca em prática nos dias de hoje.

Teco no Show de Tiago York

A entrevista que vocês irão ler sobre o surfista, cantor e compositor, conta um pouco do início de sua carreira, onde o bi-campeão mundial do então WQS fala o que o motivou a dedicar-se ao surf, sobre a influência dos patrocínios nesta cultura, e relembra, com emoção, a vitória em Hossegor. Sua nova paixão é, sem dúvida, a carreira artística que resultou o álbum, Verdade Sempre, além de sua esposa Gabriela.

Entrevista:
Na época em que aprendeu a surfar, você competia em outros esportes, judô e basquete. Portanto, o que te fez trocar tudo pelo surf? Bom, é claro que o ambiente ajudou bastante, afinal, estava trocando vestiários “fedidos” de Gelol pela praia com “cheiro” de mar, e altas gatas, hehehe! Mas, o que de fato me atingiu em cheio foi que o desafio era muito maior, por vários sentidos. Afinal, no surf, você tem o mar como primeiro grande desafio, e isso, já bastaria. Depois, vem o fato de começar nas competições internacionais, onde pude ter um resultado excelente logo de começo. No fim , o próprio prazer de surfar, que só o surfista conhece, completou a decisão.
O que você pode nos dizer sobre as competições e viagens que participou? O que mudou hoje?
Acho que quando comecei, o surfista tinha mais rivalidade, porém, eram todos uma família. Até mesmo de outros países, os surfistas se davam muito bem. As decisões eram mais fáceis de serem tomadas. Hoje, com os patrocínios aumentando, e as responsabilidades também, o negócio fica mais sério. Como em uma empresa que tem dono, e no surf, um “empresário”.

Teco entubando em Teahupoo

É notório que vencer é bom, mas tente traduzir aos leitores essa sensação de ser o 1º brasileiro a derrotar Kelly Slater numa final, em 1994, na França? Bom, é difícil descrever algo que ainda está descendo pela garganta. Aquele resultado foi incrível, pois me mostrou que ele não era imbatível, e que eu também tinha valor no que fazia. Minha cabeça “dura” é que venceu o Kelly, e não necessariamente meu surf, entende? Mas, foi consagrador em relação a minha carreira, isso sim. Hoje, sou lembrado muito mais por este resultado do que naquela época, pois naquela época o Kelly não tinha nem seu 4º título. Agora, ele já tem muitos. Com certeza é algo que contarei aos netos e bisnetos.
Você passou um bom tempo, digamos, aposentado, e chegou a aceitar o convite do Pena Master de Surf, que aliás, veio com vitória. Isso quer dizer que teremos o Teco de volta às competições?
Olha, com certeza adorei participar do evento, a convite do Romero, mas isso não quer dizer que eu estaria voltando às competições. Não tenho mais esta chama acesa em mim. Hoje, estou muito mais interessado em desenvolver pranchas de surf, como a que fiz com o Guga Arruda (Power Light Surf Boards), e desenvolver também meu “som”. Aliás, eu sempre tive este sonho, e acho que ainda há tempo de curtir muita coisa que não fiz por tanto tempo, em função justamente do surf. Hoje, tenho orgulho de dizer que eles caminham juntos, o surf e a música.

Resultado  da Power Light Surf Boards de Teco e Guga Arruda

Desculpe-me o adjetivo, mas você parece um homem multifuncional. É um empresário, surfista, músico, organizador e apresentador, como você lida com tudo isso? É fácil, basta você gostar de tudo que faz que as coisas ficam simples, como se tudo rodasse em volta do mesmo eixo, pois te trás a mesma sensação, o fato de surfar, ou tocar, ou realizar um evento. Se todas as atividades que você faz, coloca uma vibe positiva, além de acreditar no sonho da conquista pode ter certeza que as portas se abrem na sua frente, assustadoramente, porém com a certeza de que você está no caminho certo perante seus objetivos.
Vamos falar um pouco de música. Suas letras e melodias conseguem traduzir muito bem o espírito surf, é um som único e muito gostoso de ouvir. O que te impulsionou a seguir essa carreira? Na verdade estou com os ouvidos abertos à música a mais tempo do que o próprio surf está na minha vida. Este sim era meu sonho de verdade, desde pequeno. Mas, nunca achei que teria a oportunidade certa de correr atrás disso. Agora, tenho experiência, vontade, tempo, e a situação favorável de realizar mais este sonho. Sem falar que você poder cantar sua própria verdade. É gratificante demais! Aliás, é por isso que coloquei o título do meu CD solo de “Verdade Sempre”.
A união música e surf é muito forte nos últimos anos, tanto que você fez quatro episódios para o Multishow, onde você e convidados curtiam a Indonésia. O que você pode nos falar desse projeto?
Este projeto já vem saindo e voltando para minha gaveta por muito tempo, acho que tempo demais. Sempre tive este “termo”: “Surf Music”, presente na minha carreira musical e de surf. Minha primeira banda se chamava “Surf Explícito”, e eu era baterista. Agora, juntei os dois universos e com isso acho que as pessoas curtiram de fato o que é “Surf Music”, o som que vem dos surfistas e das ondas…

Teco e sua banda

Tem algo no surf que você gostaria de fazer e ainda não fez?
Sim, gostaria de surfar numa daquelas pranchas de “Foil”, que o Laird Hamilton desenvolveu, que proporciona o surf dentro de uma baia, onde só entra o balanço da ondulação, onde a onda te dá ao menos a oportunidade de surfar, isso é realmente incrível.
Quais os projetos? O que espera das etapas internacionais no Brasil?
Espero que realmente dê onda. Pois a única coisa que não podemos controlar num evento como este é o tempo e as ondas. Então a gente reza, pede perdão, e espera que Deus nos abençoe com altas ondas.
O que mudou no TECO nesses últimos anos?
Hoje, aprendi a viver meus sonhos, pois descobri que sou um homem livre pra sonhar!

Ouça o som do CD solo de Teco Padaratz – Verdade Sempre

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