Tainá Hinckel e Eduardo Motta vencem a etapa do Oi Pro Junior Series na Bahia

Foto Fabriciano JuniorFoto Fabriciano Junior

A catarinense Tainá Hinckel comprovou mais uma vez ser a maior revelação do surfe feminino brasileiro nos últimos anos, ao conquistar a segunda vitória nas duas etapas do Oi Pro Junior Series. A surfista da Guarda do Embaú se consolidou na liderança do ranking sul-americano Pro Junior Sub-18 da WSL South America, fazendo os recordes nas ondas de Stella Maris na bateria final com a carioca Julia Duarte. Já a decisão masculina foi 100% paulista entre dois amigos, com Eduardo Motta conquistando sua primeira vitória na temporada contra Fernando Junior. A próxima etapa do Oi Pro Junior Series será na Praia de Mole de Florianópolis, no feriadão dos dias 7 e 8 de setembro na Ilha de Santa Catarina.

Mostrando estar na melhor fase deste início da sua carreira de surfista profissional, Tainá Hinckel manteve a invencibilidade nas etapas patrocinadas pela Oi, pois também venceu a primeira na Barra da Tijuca, que abriu o Circuito Sul-americano Pro Junior da WSL South America no Rio de Janeiro. Depois, tiveram mais duas e ela ficou nas semifinais na do Chile, mas foi campeã na seguinte, na Praia da Taíba, no Ceará, onde derrotou a mesma Julia Duarte que enfrentou na final do Oi Pro Junior Series em Salvador.

A catarinense começou na frente com notas 5,50 e 5,25 nas primeiras ondas que surfou na bateria. A carioca chegou até a assumir a ponta com notas 5,90 e 4,25, até Tainá achar uma direita boa para fazer duas manobras fortes que valeram 7,35. Ela ainda destruiu outra onda, uma esquerda, com três batidas e rasgadas muito potentes de backside que arrancaram nota 8,25 dos juízes. Com ela, selou sua terceira vitória no ano com os recordes da segunda etapa do Oi Pro Junior Series da Bahia, nota 8,25 e 15,60 pontos, contra 10,15 da Julia Duarte.

“Estou muito feliz por ter vencido essa bateria emocionante com a Julinha, que surfa muito e está evoluindo bastante, assim como eu”, disse Tainá Hinckel, que é uma das atletas patrocinadas pela Oi. “Eu tentei ficar calma, porque estou na melhor fase da minha vida, então só tentei surfar o meu melhor e estou feliz por ter dado mais uma disparada no ranking com essa vitória. Na real, procuro não pensar muito no que já passou, ou no que vem pela frente, somente no agora, então só quero me divertir e fazer o meu melhor nas baterias. Eu treino muito para isso e essas vitórias são o resultado desse trabalho, então é seguir assim”.

A carioca Julia Duarte, assim como o igualmente vice-campeão Fernando Junior, são dois surfistas preparados para competir no Instituto Medina. Para chegar em sua segunda decisão consecutiva com Tainá Hinckel, Julia barrou a atual bicampeã sul-americana Pro Junior, Sol Aguirre, nas semifinais. Ela poderia até tirar o segundo lugar no ranking da peruana se vencesse o Oi Pro Junior Series no domingo. Não conseguiu e permaneceu em terceiro no ranking, agora bem mais próxima das duas vagas para o Mundial Pro Junior da World Surf League, que será realizado em novembro na Ilha Taiwan.

“Estou muito feliz em fazer outra final seguida no Pro Junior e a Tainá (Hinckel) é uma adversária bem difícil, tanto que ela já correu o CT duas vezes”, disse Julia Duarte. “Mas, eu vou aprendendo com os erros e na próxima eu quero ganhar dela. Agora eu dei uma subida no ranking, fui para o terceiro lugar e quero fazer mais uma final nas próximas para tentar passar a Sol (Aguirre), que agora está em segundo. Ainda tem algumas etapas pela frente e vou com tudo, para tentar me classificar para o Mundial Pro Junior da WSL até o fim”.

Na categoria masculina dos surfistas com até 18 anos de idade, a decisão do título do Oi Pro Junior Series na Bahia foi 100% paulista, entre dois amigos que competem juntos desde crianças. Essa bateria foi bem mais disputada, com a liderança sendo trocada a cada onda surfada. Fernando Junior, conhecido por John John pela semelhança ao bicampeão mundial John John Florence, começou melhor com notas 5,25 e 6,40 nas primeiras ondas.

Eduardo Motta entrou na briga numa direita destruída por uma série de manobras que valeram nota 7,00. Depois, foi aumentando a vantagem até sacramentar a vitória com o 5,35 recebido em sua última onda, enquanto John John não conseguiu aumentar o seu placar, encerrado em 12,35 a 11,65 pontos para o guarujaense. O campeão foi quem melhor se encaixou nas condições do mar do último dia em Stella Maris, sempre conseguindo notas altas nas três baterias que disputou no domingo em Salvador.

“Graças a Deus, foi um dia muito bom para mim, desde a minha primeira bateria hoje (domingo) aqui e estou muito feliz pela vitória”, disse Eduardo Motta. “Eu estava me sentindo bem melhor nas ondas do que no sábado, comecei a focar mais para entrar numa melhor conexão com o mar e estou feliz por estar de volta na briga pelas vagas para o Mundial Pro Junior. Foi muito legal fazer a final com o John John (Fernando Junior). A gente compete juntos desde moleques, nos campeonatos amadores, então ver ele crescendo junto comigo, é só alegria e tomara que tenhamos mais chances de fazer outras finais ainda”.

Na categoria masculina, os quatro primeiros colocados no ranking final da WSL South America, se classificam para o Mundial Pro Junior da World Surf League, mas esse grupo não teve mudanças de nomes no Oi Pro Junior Series de Salvador. Apenas na liderança, que o saquaremense Daniel Templar tirou do paulista Daniel Adisaka, quando se classificou para a quarta fase na última rodada do sábado de ondas maiores em Stella Maris. O potiguar Mateus Sena permaneceu em terceiro no ranking e o catarinense Lucas Vicente em quarto.

Com a vitória na Bahia, Eduardo Motta se aproximou dos top-4, saltando da vigésima para a quinta posição no ranking das quatro etapas completadas neste domingo em Salvador. Com o vice-campeonato, Fernando Junior também subiu do 19.o para o sétimo lugar. Nas semifinais, Eduardo Motta fez a melhor apresentação do dia contra o novo líder, Daniel Templar, somando notas 7,20 e 7,00 para bater o surfista de Saquarema por 14,20 a 8,70 pontos. Na outra semifinal, Fernando Junior derrotou o catarinense Lucas Vicente por 11,00 a 10,45.

“Com certeza, é um incentivo a mais fazer uma final. Eu já tinha feito uma do Pro Junior em Portugal, onde também perdi, então é continuar trabalhando duro pra conseguir uma vitória nas próximas etapas”, disse Fernando Junior. “Foi uma final especial, com o Mottinha (Eduardo Motta), pois sempre surfei com ele, sempre competimos juntos e fazer uma final com um amigo é demais. Só dentro d´água, que cada um não quer perder, mas terão outras etapas ainda e a Oi está de parabéns por investir no surfe. Espero que mais marcas possam se interessar em investir no surfe, porque nosso esporte merece também”.

O novo líder do ranking, Daniel Templar, sai contente da Bahia por ter assumido a ponta na corrida pelo título sul-americano, porém lamentou ter perdido novamente nas semifinais, como nas outras três etapas já disputadas: “Estou muito focado esse ano no Pro Junior. Já fiz quatro resultados muito bons e agora é buscar fazer uma final nas próximas etapas, para continuar sólido para conseguir o título sul-americano. Infelizmente, eu não achei as ondas boas na semifinal, mas quebrei o campeonato inteiro e isso é o mais importante, pois estou surfando bem e só tenho que parabenizar o Dudu (Eduardo Motta), que quebrou a bateria”.

Compartilhe.