Maus hábitos alimentares e sedentarismo, além da predisposição natural, estão envolvidos na origem do diabetes tipo 2. A corrida costuma ser indicada pelos médicos para que os riscos da doença sejam amenizados, pois pode ajudar a prevenir acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, insuficiência renal e perda visual. Mas afinal, pessoas com diabetes podem praticar corrida? De acordo com o professor doutor Fábio Batista, médico ortopedista, especializado no tratamento do pé diabético e salvamento funcional de membros em feridas complexas, “existem considerações médicas importantes a serem destacadas aos corredores, sobretudo, diante da diabetes de longa duração, que apresenta os desdobramentos clínicos da neuropatia periférica, pés não funcionais ou mesmo, antecedentes de úlceras plantares, Artropatia de Charcot ou amputações parciais do pé, pois podem aumentar o risco de novas lesões, piorando muito a qualidade funcional dessas pessoas”.

O especialista destaca também que “já para os corredores com o diabetes controlado e que não exibem achados clínicos de maior risco, esses, desde que bem orientados e devidamente protegidos, estariam mais aptos para a prática”. Pé diabético é uma condição clínica complexa, que acomete os pés e tornozelos das pessoas com Diabetes. A neuropatia periférica é apontada como o principal fator de risco. Seus desdobramentos clínicos, como a perda da sensibilidade, deformidades e limitação de mobilidade articular, associado ao impacto repetitivo, podem levar à lesões importantes, aumentando bastante o risco de amputações.

A prática de esportes e atividades físicas é fundamental para a qualidade de vida da pessoa com diabetes, mas há várias considerações que são particularmente importantes e específicas para o indivíduo com diabetes. Segundo o especialista, o exercício aeróbico é recomendado, mas algumas medidas de precaução para os pés são fundamentais para os pacientes diabéticos. “Um calçado adequado é fundamental e o seu uso deve ser enfatizado nos indivíduos com neuropatia periférica. É importante utilizar calçados com palmilhas especiais customizadas e meias de algodão brancas, para manter os pés secos e prevenir o aparecimento de bolhas ou lesões mais graves”, explica o dr Fabio Batista.

Outro ponto importante é a qualidade do tênis para caminhadas e corridas. “O calçado ideal deve ter um sistema de amortecimento nos calcanhares para se evitar lesões. Durante a atividade, ao tocar o solo com o calcanhar no início da passada, o valor do peso corporal é em torno de 100-110% neste local e ao correr pode subir para duas ou mais vezes este valor. Uma pessoa normal, que joga em torno de 3500-4000 g/cm2 no calcanhar na caminhada pode aumentar este valor para até 7000-8000 g/cm2. Em pessoas diabéticas, valores de pressão plantar em torno de 8000-10000g/cm2, são fatores predisponentes para abertura de úlcera plantar, uma das complicações que acometem o pé do diabético”, conclui.

Sobre o Dr Fábio Batista – Dr Fábio Batista (CRM – SP 87665 / TEOT 7662) é médico ortopedista, especializado em pés diabéticos e salvamento funcional de membros em feridas complexas. É chefe do ambulatório de tratamento de Pé Diabético e Salvamento Funcional de Membros em Feridas Diabéticas Complexas e assistente doutor efetivo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp (Escola Paulista de Medicina); Doutor efetivo da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo; e pertence ao corpo clínico dos Hospitais Albert Einstein, Osvaldo Cruz, São Luiz e Santa Rita em São Paulo.

Por Michele Barcena

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