A máxima de que a vida começa aos 40 anos, pode ser totalmente aplicada ao carioca Pedro Burckauser. Foi exatamente nessa idade que ele pegou todas as suas economias para investir no seu sonho: acompanhar o Circuito Mundial de Surf na integralidade. Largou a profissão de engenheiro de som de 20 anos e caiu na “estrada” ou melhor, passou a seguir o Tour, da Austrália ao Havaí, passando por outros paraísos como Taiti e Fiji. Hoje, dois anos depois, Pedro transformou o sonho em realidade. Está presente em todas as etapas da melhor forma possível, trabalhando diretamente com o Circuito – ajuda na produção do webcast em português da WSL e ainda gera conteúdo para a ESPN Brasil. E, efetivamente, dentro da estrutura teve a ideia de compartilhar com outros amantes do surf os bastidores de cada competição.

Gabriel Medina em Fiji, com a Bandeira do Brasil / Foto People on Tour
Gabriel Medina em Fiji, com a Bandeira do Brasil / Foto People on Tour

Generoso, criou três canais de comunicação – site, Facebook e Instagram – com o sugestivo nome “People on Tour”, mostrando a visão de um fã da modalidade, do evento. Diferente de qualquer publicação que divulga o surf, Pedro Burckauser não está preocupado com as manobras dos atletas nas ondas. Pelo contrário, é conhecido por ficar de costas para o mar, garantindo momentos diferentes e únicos, de espontaneidade, até mesmo da intimidade dos atletas e personagens que atuam no Circuito. Cliques de quem é um privilegiado por estar nos bastidores. As estrelas do WCT são os principais personagens, lhe respeitam, atendem e interagem, mas os posts vão além, retratando também as culturas e comunidades locais, os espectadores. São fotos – algumas vezes vídeos – com descontração e em certos momentos, carregadas de emoção e relacionadas com a etapa que está sendo realizada.

Imagens marcantes como a histórica de Mick Fanning ajoelhado com as mãos no rosto, logo após o susto com o tubarão em Jeffreys, ano passado. Outras engraçadas, como Italo Ferreira simulando um tubo na piscina do hotel em Fiji, junto com Filipe Toledo. “A WSL faz a transmissão ao vivo, as outras mídias divulgam fotos da ação e informam os resultados, mas eu queria mostrar a minha visão. A visão de um fã que é apaixonado pelo evento de surf. Adoro andar pela areia e fotografar as famílias, as crianças, os amigos. É um ambiente de muita alegria e boas energias. O meu registro é sobre felicidade, não sobre resultado”, comenta Pedro. Ele explica que no começo, muitos não entendiam bem a ideia e escutou indagações como ‘O que esse cara está fazendo?’ e ‘Você não bate foto de surf?’. “Já me falaram várias vezes eu sou o único fotógrafo de costas para a água (risos). Acho uma boa definição”, afirma. “Mas com o tempo, os atletas foram percebendo que o People on Tour nada mais é que a visão de um fã, a experiência de se ir a um evento da WSL, onde você cruza com seus ídolos, faz bagunça com os amigos na areia ou compra cachorro quente para sua filha na área de alimentação”, explica.

Pedro Berckauser Fiji 2016 / Foto Divulgação
Pedro Berckauser Fiji 2016 / Foto Divulgação

O nível de intimidade com os atletas, estando em lugares estratégicos, onde poucos chegam, é resultado de sua discrição e a preocupação em não incomodar. “Acho que isso fica aparente quando estou próximo deles. Já perdi muitas possíveis ótimas fotos justamente porque achei que não seria adequado pegar a câmera para batê-las. Essa dinâmica é boa pois me deixa à vontade para bater as fotos quando eles estão à vontade”, destaca. “Sou movido pela minha vibração e só bato fotos quando me sinto bem. O People on Tour para mim não é trabalho. Não tenho de responder a ninguém, a chefe. As fotos são fruto da minha vibração, da minha conexão com o lugar e as pessoas”, argumenta sobre a inspiração para cada foto.

Para chegar a esse estágio de estar e fazer o que sonhou, Pedro arriscou e apostou no futuro. Depois de anos trabalhando com áudio, mixando discos e finalizando filmes, resolveu que era a hora de mudar. “Precisava sair de dentro dos estúdios e ir atrás do meu sonho, que sempre foi seguir o Tour”, conta, lembrando o investimento pessoal no início. “Peguei toda a grana da rescisão mais o fundo de garantia e me joguei”.

“Hoje, com os trabalhos da ESPN e WSL consigo empatar os custos em quase todas as etapas, entretanto continuo conversando com algumas marcas e espero, em breve, fechar uma boa parceria para o People on Tour e aí sim, poder viajar sem malabarismos”, revela o também surfista. “Surfo desde muito pequeno e sou apaixonado pelo Circuito. Na verdade, sou mais apaixonado pela competição do que pelo esporte em si. Já deixei de surfar ondas muito boas para poder acompanhar o evento (risos)”, completa.

Fotos Pedro Burckauser

BrasilFiji2016

Por Fábio Maradei

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