O brasileiro Lucas “Chumbo” Chianca quase consegue o bicampeonato na etapa do WSL Big Wave Tour de Nazaré, em Portugal. Mas, o sul-africano Grant “Twiggy” Baker conseguiu a maior nota da bateria final na sexta-feira de ondas passando dos 30 pés de altura na Praia do Norte, para vingar a derrota sofrida no ano passado, quando ficou em quinto lugar. Chumbinho foi o vice-campeão dessa vez, com o basco Natxo Gonzalez repetindo a terceira posição de 2017. Dois portugueses chegaram na decisão do título, com Alex Botelho ficando em quarto lugar, João de Macedo em quinto e o australiano Russell Bierke em sexto.

Lucas Chianca/ Foto: WSL / Poullenot)

“Estou superfeliz, mas não consegui alcançar o objetivo que queria aqui, que era vencer o evento de novo”, disse Lucas Chianca. “Mesmo assim, foi um dia perfeito e todo mundo estava feliz em ver essas ondas fantásticas aqui em Nazaré. É uma ótima maneira de começar a temporada e estou muito empolgado para o restante do ano. O Twiggy (Grant Baker) é uma lenda e um verdadeiro ídolo que sempre admirei quando era mais novo, então fico feliz em competir de igual para igual com esses caras”.

Enquanto o brasileiro chegou na final vencendo as outras duas baterias que disputou na sexta-feira, o campeão passou raspando, sempre em terceiro lugar, na última vaga para a fase seguinte. Mas, na decisão do título, conseguiu a maior nota para dobrar no resultado, 8,67, somando os 17,34 da multiplicação com o 7,70 da sua última onda para atingir 25,04 pontos. Lucas Chianca tinha começado bem com 7,17 e na última conseguiu 8,07 para multiplicar por dois e alcançar 23,31 pontos. O dono da única nota 10 do Nazaré Challenge esse ano, conseguido nas semifinais, Natxo Gonzalez, terminou em terceiro lugar como em 2017, com 22,71 pontos, superando por pouco os 22,06 do português Alex Botelho.

“Eu nem acredito que venci. Isso é insano”, disse o bicampeão mundial do WSL Big Wave Tour em 2013 e 2016, Grant Baker. “Estes adolescentes ainda, estavam surfando muito forte hoje (sexta-feira) e nem posso acreditar que ainda tirei tudo de mim para vencer. Esse 8,67 era a onda que eu estava esperando surfar desde o início do dia. Ela veio direto para mim e foi muito louca. Foi um dia realmente perfeito e Nazaré é um sonho. O Lucas (Chianca) foi o cara que me venceu no ano passado aqui e o Natxo (Gonzalez) pegou o tubo mais incrível nas semifinais, então, de alguma forma, acho que tive sorte para vencer hoje”.

O Nazaré Challenge começou em ondas com cerca de 25 pés na maré cheia na Praia do Norte e quando ela secou, as condições ficaram mais pesadas com algumas séries entrando na faixa dos 35 a 40 pés, ou seja, ultrapassando incríveis 10 metros de altura. O comissário do Big Wave Tour, Mike Parsons, concedeu ao evento um coeficiente de prata, o que significa que os resultados em Nazaré terão um acréscimo de 10% na pontuação do ranking. A vitória, por exemplo, valeu então 11.000 pontos para Grant Baker.

DECISÃO DO TÍTULO

A grande final começou com a maioria dos surfistas pegando boas ondas e Lucas Chianca largou na frente com notas 7,17 e 6,23. Ele seguiu posicionado para surfar as esquerdas que vinha dominando desde o início do dia. Sua qualidade em dropar atrasado nas paredes enormes da Praia do Norte impressionou a todos, com Chumbo surfando boas ondas em todas as três baterias. Na semifinal, conseguiu sua maior nota, com um dos cinco juízes dando 10 para ele e a média ficando em 9,60.

A nota máxima saiu na segunda semifinal, para o basco Natxo Gonzalez, que também chegou a liderar a decisão do título, até o sul-africano Grant Baker conseguir completar uma onda incrível que valeu 8,67 para assumir a ponta. Nesse momento, Lucas Chianca caiu para o terceiro lugar, mas ainda achou uma onda boa, a melhor dele na bateria, para ganhar 8,07 e confirmar o vice-campeonato na abertura do WSL Big Wave Tour 2018/2019 em Portugal.

BRASILEIROS

Esta é só a segunda temporada do surfista de Saquarema no Circuito Mundial de Ondas Gigantes e outros dois brasileiros também competiram no Nazaré Challenge, mas não passaram da primeira fase. O paulista Rodrigo Koxa, que entrou no Guinness Book esse ano por ter surfado a maior onda da história, não conseguiu completar nenhuma na sexta-feira e terminou em quinto lugar na segunda bateria do dia. Na mesma posição, ficou Pedro Calado no confronto seguinte, mas ele ainda surfou uma única onda que valeu 7,10. Ambos ficaram empatados em nono lugar no Nazaré Challenge 2018.

O próximo desafio do World Surf League Big Wave Tour é o Mavericks Challenge nos Estados Unidos. A janela para a realização do evento já foi aberta em 1.o de novembro e vai até 31 de março de 2019. A comissão técnica do BWT segue monitorando as previsões e só ligarão o sinal verde para rolar o campeonato quando as ondas atingirem a marca de 30 pés em Half Moon Bay, na Califórnia, avisando todos os competidores com uma antecedência mínima de 72 horas.

Por João Carvalho

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