Fabinho Gouveia, conhecido também como Fia, foi um dos pioneiros do Brasil no Circuito Mundial. Em 92 garantiu um dos melhores resultados na história, terminando em quinto lugar no ranking da primeira divisão do surf. Antes, em 88, foi campeão mundial amador, iniciando uma trajetória que o tornaria ídolo nacional, e dez anos depois campeão do QS e brasileiro.

Nasceu em Bananeiras, no interior da Paraíba, cidade a 129 quilômetros de João Pessoa. E só aprendeu a surfar aos 13 anos, na capital paraibana. Aos 49 anos, vive do surf há mais de 30, e segue competindo como master, além de se dedicar à fabricação de pranchas.

“Meu melhor momento como competidor foi quando fui quinto no geral no CT. Estava no auge. Ganhei provas. Como em 91, venci Biarritz e Sunset. Foram anos mágicos”, lembra. “Quando eu saí em 2003, poderia ter ficado um pouco mais. Conseguido melhores performances em ondas pesadas. Eu estava surfando melhor ondas tubulares, melhorado em Pipeline. Quando tentei voltar, machuquei a coluna, tive de fazer a cirurgia e minha carreira ficou por ali, com gostinho de que poderia ter ido melhor”, acrescenta.

Ele sabe que no geral teve uma carreira vitoriosa, sobretudo pelas dificuldades da época. “Para a gente, que estava desbravando o Tour, tentando levar o nome do Brasil lá em cima, perante todas as dificuldades, foi praticamente como um título”, ressalta. “A gente tinha retorno de mídia praticamente comparado aos dias atuais, guardadas as proporções, porque os brasileiros nunca tinham os resultados que tivemos. Sempre causada aquele frenesi”, complementa.

Outro momento especial foi a vitória no próprio Hang Loose Pro Contest, novamente como pioneirismo, sendo o primeiro brasileiro, em 1990, em Guarujá. “Fui bem-sucedido na minha carreira no geral. Viajei com a família a vida inteira, consegui acompanhar o crescimento dos meus filhos, na medida do possível. Casei com a Elka e ela tomou conta dos bastidores. Foi um casamento perfeito.

“Agora venho evoluindo meu surf em ondas maiores, participo de eventos especiais que surgem. Principalmente os masters. Adoro quando essa galera se reúne. Tinha vários caminhos para seguir na carreira, uma coisa era certa eu sempre queria estar dentro do surf e viver do esporte a vida inteira. O shape, a fabricação de pranchas, foi algo que me cativou desde moleque”, revela.

Na década de 90 ele chegou a fazer pranchas, parou porque não tinha como conciliar com os treinos, família e competição. Em 2009, voltou a fabricar e de lá para cá sempre investiu em sua preparação. “Mas o surf em si ainda continua rendendo muito para mim, com viagens, clínicas. Estou absorvendo algumas partes do surf que não conseguia quando era competidor, tendo contato direto com a galera que sempre admirou meu trabalho. O negócio está sempre fluindo, não para. Meu objetivo é shapear pelo Mundo, como Japão, Portugal, Espanha, Havaí.

Por Fábio Maradei

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