Presidente da Associação de Surf da Grande São Paulo e batalhador do esporte, Eduardo do Nascimento Santos, mais conhecido como Dadá, faleceu nesta quarta-feira, aos 55 anos, no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), onde lutava contra um agressivo tumor. O velório acontece nesta quinta-feira entre 6 e 12 horas no Cemitério da Quarta Parada, no Tatuapé, em São Paulo. Depois o corpo segue para o crematório da Vila Alpina.

Dadá deixou as filhas Nadine e Nathália, a esposa Fabiana e uma legião de surfistas paulistanos, amigos e parceiros de vida. Nas redes sociais, as homenagens replicaram-se intensamente após o comunicado feito no meio da tarde por aplicativo WhatsApp por Fabio Carvalho, um de seus grandes companheiros:

“Estou arrasado, duas décadas de amizade, realizações e aprendizado. Agora ele está em paz, agradeço a Deus pela honra de conviver com esse grande irmão”, diz Carvalho.

Destaque do circuito SP Contest, Pedro Oliveira, comenta a perda: “Estou muito triste, mas sei que Deus reservou o melhor para ele! Um cara que fez muita diferença e teve muita importância na minha vida. Obrigado pela amizade, pelas viagens, pelo companheirismo, pela honestidade, pela experiência e por tudo que aprendi com você, meu eterno amigo! Que os anjos do senhor estejam ao seu redor.

“Descanse, grande guerreiro. Amigo de caráter, idealizador e organizador do nosso circuito. Te agradecemos portudo que nos proporcionou. Adeus, companheiro, esteja em Paz. Nossa família perde nossa referência, nosso rumo”, comentou José Carlos Paioli, veterano do circuito SP Contest.

Batalhador do surf – Por trás de diversos campeonatos realizados em nosso litoral estava um paulista apaixonado pelo esporte. Dadá atuou durante duas décadas como promotor de eventos; foi responsável pela criação de um circuito amador consolidado (SP Contest), realizou etapas do circuito mundial WQS e esteve junto de conquistas nacionais com a equipe paulista amadora.

Sua empreitada no surfe começou em 2001, ao realizar um evento solo. No ano seguinte, deu início a um projeto diferenciado para os padrões, pois valorizava amadores, totalmente em contrapartida ao cenário da época, capitaneado pelo circuito brasileiro profissional repleto de estrelas e considerado o melhor do mundo.

Foi apenas o primeiro passo. No mesmo ano, Dadá criou a Associação de Surf da Grande São Paulo (ASGSP). Ele estava fora do segmento, monitorando a 25a Mostra Internacional de Cinema de SP, ainda sobra a curadoria do Leon Kakof, e promovia shows de artistas como Paulo Miklos, um dos integrantes do Titãs. Paralelamente, tinha feito curso de captação de recursos e elaboraçãode projetos voltado a eventos.

Por coincidência, seu amigo José Paulo dos Santos, ouviu de um fabricante de pranchas do Tatuapé (SP) que gostaria de realizar um campeonato entre a galera do bairro. Convidado por Santos, ele fez o projeto e logo de cara a Maresia, sob comando do Marcelo Laxe, se interessou.

Com este mesmo amigo, fundou também em 2002, a Event Tools Promoções e Eventos Ltda, empresa responsável pela realização de aproximadamente 135 campeonatos de surf e skate, além de inúmeras festas, lançamento de vídeos e premiações. Laxe ajudou a desenvolver a associação e ficou definido que os eventos deveriam funcionar como um clube, uma válvula de escape e tornar-se uma grande família.

Trajetória  – Sua história com o surf começou em 1977, no litoral sul de São Paulo, quando tinha apenas 14 anos. “Peguei gosto pela coisa ao surfar com uma monoquilha do Homero, comprada do meu próprio irmão mais velho”, costumava recordar.

Dadá chegou a competir em eventos amadores como o Natural Art, considerado o circuito paulista da época, e alguns festivais em Ubatuba.Sua primeira viagem internacional foi para o Peru em 1986, depois desbravou as ondas de Fernando de Noronha (1988), até concretizar o sonho de ir para o Hawaii, em 1990, aonde apareceu no vídeo “Brasileiros no Hawaii”, dos fotógrafos Haroldo Nogueira e Marcos Lopes”.

Desde então, acumulou temporadas Peru (7), Porto Rico, República Dominicana, Califórnia (EUA), e conhece também boa parte do litoral brasileiro.

Em meio às turbulências do mercado, realizou pelo 17º ano consecutivo o circuito para os surfistas fissurados,aqueles que aguardam ansiosamente a semana inteira para desfrutar das ondas aos fins de semana, perfil este onde se encaixam milhares de praticantes do esporte.

Nestes anos de estrada, encontrou diversas dificuldades para seguir adiante com sua paixão pelo surf e costumava dizer que batalhou muito para obter respeito e respaldo das outras associações do litoral.

Realizado profissionalmente, há mais de uma década atuou como vice-presidente da Federação Paulista de Surf, e possui no currículo o bicampeonato nacional como chefe de equipe. Já atuou como diretor de provas de uma etapa do circuito WQS realizada no Guarujá, e participou das Olimpíadas do Surf, em 2006, em Maresias.

A mesma paixão de garoto que o movia atrás das ondas é o que o movimentava batalhar pelo desenvolvimento do esporte. Torcia e vibrava a cada conquista dos brasileiros pelos quatro cantos do mundo, amava estar dentro da água e estava sempre pronto para ajudar, revelar e incentivar talentos.

Para ele, qualidade de vida era trabalhar com o que mais amava e afirmava não querer mudar nunca seu lifestyle.

Valeu, Dadá. Você deixou um legado. Os surfistas paulistanos estão órfãos. Será sempre lembrado e permanecerá vivo em nossos corações!

Por Nancy Geringer

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