Uma verdadeira menina-mulher, guerreira, que soube administrar o estresse, a vida corrida, e largou, em especial, o cigarro só para se dedicar exclusivamente à canoa havaiana e ao esporte. Mas, nada disso foi tão fácil para a santista Rosemeire Ratzka Guedes, que aos 51 anos se tornou em 2017, campeã brasileira da modalidade OC1/ V1R .

Rosimeire / Foto Divulgação

Há 10 (dez) anos, sem nenhuma pratica em atividade física Rosimeire deu uma guinada na vida. Queria mudar de carreira, largar o dia a dia de uma profissão que não te dava mais prazer. Diante do quadro em que se encontrava, partiu para um concurso público em 2013, para policia civil de São Paulo. Passou na 1ª fase, passou na 2ª, psicológica. Porém, não conseguiu avançar na prova física. Até tentou, tinha apenas três meses para colocar seu corpo em forma. Mas, com o histórico de sedentarismo e o vicio com o cigarro, acabou que na prova pratica não obteve êxito, conseguiu executar as abdominais, a flexão de solo e a barra, faltava à corrida, onde tinha que percorrer 2.000 metros em 12 minutos, não conseguiu, completou com 1800 metros.

Frustada, colocou como meta em sua vida que jamais nenhuma prova física iria lhe derrotar. E, não derrotou! Só em 2017, Rosimeire conquistou o 1º Lugar OC1 Feminino, prova em Itanhaém/ SP, 20 km; o 2º Lugar OC6 Feminina Open, Volta da Ilha de Santo Amaro, 75 Km; o 1º Lugar OC6 Feminino Máster, Festival Aloha Spirit 1ª Etapa – Ihabela/ SP; o 1º Lugar OC1 Feminino Super Máster, o 1º Lugar OC1/ V1R Feminino Máster 50 – 1ª Etapa Campeonato Brasileiro – Represa Guarapiranga – SP; o 1ª Lugar OC1/ V1R Feminino Máster 50 – 2ª Etapa Campeonato Brasileiro – Marina da Gloria Rio de Janeiro – RJ e se tornou Campeã Brasileira OC1/ V1R .

O InnerSport deu uma remada até Santos, para bater um papo gostoso, com essa mulher que é exemplo de dedicação e força de vontade. Uma pessoa que prova que os sonhos podem ser alcançados, só depende de nós, e encontrou na canoa havaiana seu passa tempo favorito. Uma guerreira que luta não só pelo seu esporte e também arruma tempo para ser instrutora de canoa havaiana.

Rosimeire / Foto Divulgação

IN – Como foi o inicio de tudo e o que motivou a iniciar no universo do remo?
R – Em meados de 2014 iniciei as aulas com caiaques junto a Prefeitura de Santos duas vezes por semana, não foi fácil no inicio, pois meu corpo estava sem tonos muscular e sem resistência física. Após uns 02 meses, estava junto com uma amiga observando o mar e eis que avisto uma canoa havaiana deslizando, foi amor à primeira vista! Eu disse: eu ainda vou remar naquela canoa e vou participar de competições, mas tenho que esperar as coisas econômicas melhorar. Foi quando ela me disse que a Prefeitura de Santos, disponibilizava através de um projeto em parceria com a Canoa Brasil, aulas de canoa havaiana, uma vez por semana, só tinha que aguardar abrir as inscrições. No inicio de 2015, lá estava eu na minha primeira aula, foi emocionante, uma sensação indescritível, o fato de ser ao ar livre, contato direto com a natureza, não preciso dizer que cheguei acabada em casa rsrs, com o passar do tempo a resistência muscular foi respondendo positivamente e além da alegria de praticar uma atividade longe de quatro paredes. Depois de dois meses, passei a ser aluna particular, pois queria mais que uma aula semanal, além de ter um desejo enorme dentro de mim, que era aperfeiçoar a técnica da remada e competir, fiquei literalmente enchendo a paciência do meu grande amigo e instrutor André Gomes “ Quero entrar em uma equipe, como faço…rsrsr”. Em fim, fui aceita na equipe mista, formada por alunos da base Canoa Brasil. A partir daí comecei a me dedicar aos treinos com a equipe, fui evoluindo, buscando cada vez mais e mais, aprendi a remar no leme, onde tive a oportunidade de ter sob o meu comando a canoa havaiana OC6, mas para tudo isso acontecer foi horas e muitos finais de semana na água, onde eram divididos entre treinos e as instruções das aulas.

Diante da minha dedicação e determinação, o André e o Fábio Paiva, percussor da Canoa Havaiana no Brasil, enxergaram um potencial na minha remada, e por vários momentos diziam “Invista em vc! Vc tem potencial”, A partir de meados de 2016, iniciei os treinos mais voltados para as competições individuais, buscando em 2017 começar com as provas de OC1. A rotina de treinos ficou mais puxada, mas nada comparado ao desejo e a determinação de atingir o melhor e ter o reflexo disso nos resultados.

Hoje, inicio às 4h30, com a canoa na água até às 6 hs, sempre com o acompanhamento do meu treinador Crisvaldo Barbosa Lino, que monta os treinos, mesclando uma dinâmica que envolve: cardio respiratório, técnica, força e resistência muscular, e mais as aulas em que sou instrutora de canoa havaiana, fora d’agua acrescento ainda trabalho com musculação, atualmente 3 vezes por semana e bike, resumo não paro, mas por livre pressão do técnico tenho um dia off, em que procuro pedalar leve e remar de standap, mais lazer. O mais difícil mesmo é o equipamento e patrocínio, não tenho uma canoa de ponta e isso faz a diferença, meu desempenho poderia ser muito melhor e sem patrocínio tudo é custeado do bolso (inscrição, transporte, moradia, equipamento, alimentação, suplementação), acaba que não é em todas as provas que posso ir. Já evolui bem na técnica, mas sei que posso e preciso buscar mais porque só estou começando no esporte e ainda tem muita água p puxar.

Rosimeire / Foto Divulgação

IN – Quando e por que a canoagem em sua vida?
R- Quando? Todo instante, respiro canoa, mesmo em terra penso nela e nos projetos para o futuro, e advinha? Ela esta lá também, no meu futuro rsrs.

IN – De que forma foi o seu crescimento no esporte?
R – Quem analisa pelo tempo que comecei com as aulas, vai dizer que foi rápido, mas pra mim houve um tempo de amadurecimento e aprendizado, que nunca acaba porque todos os dias algo de novo surge, seja nos treinos, nas aulas com minha turma, no mar ou em terra, e eu estou em evolução.

 

Rosimeire / Foto Divulgação

IN – Quais são seus objetivos na canoa?
R – Meus sonhos no esporte sempre foram altos, mas tenho a consciência que devo respeitar cada etapa, e trabalhar muito para atingir cada uma delas, primeiro os Campeonatos Nacionais, Sul Americano e Mundial, mas tenho outro que acompanha paralelamente, o da instrução, mostrar os benefícios desse esporte e o quanto ele esta atrelado à saúde do corpo e da mente, e também ao lazer, assim levando-os cada vez mais ao grupo maior de pessoas.

IN – Como você vê a participação e evolução das mulheres nessa modalidade?
R – Vem crescendo gradativamente, temos atletas e estreantes juniores até 16 anos, assim como, máster 40 a 49 anos e super máster 50 a 59 anos e acima de 60 anos, isso é um ótimo sinal, surgimento de mulheres abrangendo várias faixas etárias, uma demonstração de que as competições de canoa havaiana não se restringem a uma única faixa etária da vida do atleta, mas por toda sua vida.

IN – Como foi participar de um evento a primeira vez e sair com o título de Campeã brasileira de OC1?
R – Nossa foi o máximo! Muito nervosismo, porque você sai do regionalismo e passa a dividir a raia da prova com atletas nacionais, gigantes em suas categorias. As raias são totalmente diferentes da que você treina, por mais que você se prepare, uma competição sempre te surpreende, quanto às condições do clima, do mar e até mesmo sua performance. Sou campeã Brasileira na minha categoria (50 +) e a top 5 entre todas as demais categorias, num total de 26 mulheres. Só posso agradecer. Agora tenho a certeza que posso mais e vamos trabalhar para atingir os outros objetivos.

“Sou campeã Brasileira na minha categoria (50 +)” / Foto Divulgação

IN – Fale mais sobre as escolas de canoagens, sup e surf que vcs mantem em Santos, como funciona e quais os horários.
R – Sou instrutora de canoa havaiana em parceria com a base da Canoa Brasil em Santos, as 3ª e 5ª feiras às 8h30 e as 3ª e 4ªfeiras às 19 horas, onde trabalhamos com grupos. Durante a semana também temos as aulas particulares de sup e surf com Lino e OC2 comigo, procuramos adequar as nossas agendas com a dos alunos, respeitando sempre a segurança em decorrência as previsões do clima e mar. Nessas aulas onde encontramos o outro lado, o prazer em transmitir a nossa vivencia junto à canoa, não tem palavras para descrever a sensação dos olhos dos alunos brilhando a cada remada, a cada contato com a natureza. Essa sensação supera qualquer título. Nosso lema é remar e ser feliz.

Redação InnerSport

 

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